terça-feira, 30 de junho de 2009

O que é novo

Eu me equilibro em viadutos, eu e meus amigos loucos, bêbados, escritores sem livro, músicos sem disco, cineastas sem nenhum final feliz, dialogando por citações, encenando por entre as ruas, trocando os dias pela noite e as noites por coisa alguma.

Temos esperança. Mesmo que ter esperança seja acreditar no café preto frio e no pão com manteiga de ontem, a vida tem dessas coisas.

É, eu e meus encantamentos e ideais românticos juvenis. Eu que já rasguei tantas idéias antes mesmo de terminar de levá-las ao papel. Eu e essas tais pretensões de me sacrificar: escrever, concluo, é então renunciar, não se deter por nada, nada, não respeitar nada, os que tiverem nojo, fracassam, é preciso – fundamental - ter pulso, ter estômago, como se na literatura tu tivesse que renunciar a todos os caminhos.

Eu assombrada por uma constante sensação de que talvez tenha me perdido por aí e me achado tantas vezes, de não me lembrar quais foram as escolhas ou quais foram os caminhos. Eu, que sinto um vento novo ventando.

Eu, composta, acalentando o sentimento de que algo novo se anuncia, algo que leio nas entrelinhas e que me faz sorrir... Eu que sentada no escuro em meio a fumaça misturada de café e perfume, escuto teu silêncio e sorrio ao ouvi-lo cantar no mesmo tom que o meu numa ligação sem explicação. que não precisa ter explicação.

Só resta suspirar (mos).

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