segunda-feira, 13 de abril de 2009

Só preciso ouvir

Quando vivo eu, todos os dias, morro sem precisar tantas sinestesias. Uma só. Mas enquanto vivo, ironicamente caço o cheiro exato, o gosto claro, o toque segundo as temperaturas nascidas aqui envolvendo a fotografia nítida após os meus olhos fechados, a que fica. Só caço, não acho - é quando morro e sou fiel.

Minhas mortes colecionadas orgulhosamente são as maiores provas de fidelidade que consigo me dar. São os motivos repetidos pelos quais esta vida segue sem o meu controle. E que acaba em tantos pontos - mortes comemoradas e que abrem espaço para que eu possa visitar posses inalcançáveis, mesmo quando minhas e por mim. Vou morrendo porque vivo livremente em atmosferas onde não posso pelos sentidos.

E então fujo meu corpo para ocupar passagens, um não lugar para se ser, guardião. Cabeça erguida, o resto alto:
Vivo para morrer um silêncio intercalando estes dias de guerra. Silencio que diz alto, mas diz para mim.

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