Dos outros, nada me interessa. Dos que me rodeiam e se me insinuam, puxando daqui, empurrando de acolá, acotovelando-me gentilmente a atenção, nem dou conta. Não importa se me oferecem flores, jantares caros, palavras difíceis ou sorrisos únicos, nem se me cantam, ao ouvido esquerdo, a canção do bandido, ou me sussurram, ao direito, clichés repisados, descobertas científicas e verdades absolutas. Relevo-lhes a poesia medíocre e a prosa sentida, trespasso-lhes as transparências e vou à minha vida, que é você. Não me tento por desvios ínvios ou atalhos fáceis, não cedo a distrações de feira nem a truques para inglês ver e ignoro olimpicamente o barulho das luzes, nesta concentração absoluta no propósito de te amar. Os demais não te obstaculizam, simplesmente, não existem, de fato: detenho-me na tua onipresença e isso por agora me basta. O amor não me cega, antes, priva-me de qualquer visão periférica.